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Brasil confirma leilão de BESS para meados de 2026 após aprovação de novo marco regulatório para armazenamento
Governo confirma leilão exclusivo de baterias para meados de 2026. CNPE aprova marco regulatório reconhecendo sistemas hidráulicos e hidroelétricas com reservatórios como estratégicos. Entenda os parâmetros, timing e o que esperar.
Redação Brasil BESS
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Brasil confirma leilão de BESS para meados de 2026 após aprovação de novo marco regulatório para armazenamento O governo brasileiro confirmou oficialmente a realização do primeiro leilão exclusivo para sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS) para meados de 2026, de acordo com declarações do Ministério de Minas e Energia (MME) divulgadas em 1º de abril de 2026. A confirmação veio em paralelo à aprovação pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) de duas resoluções estratégicas que reposicionam hidroelétricas com reservatórios no centro do planejamento energético brasileiro e reconhecem sistemas hidráulicos de armazenamento (SAH) como instrumentos estratégicos de flexibilidade. Segundo o ministro Alexandre Silveira, "a expansão já sinaliza o crescimento de renováveis de forma muito vigorosa no Brasil nos próximos anos, de forma que nós precisamos ter um arcabouço regulatório que dê segurança para os investidores". A declaração reflete a urgência de criar mecanismos de armazenamento para lidar com a crescente intermitência da geração solar e eólica. ## Leilão de baterias em meados de 2026: o que se sabe O leilão específico para BESS será realizado em meados de 2026 (midyear), conforme cronograma oficial do governo. A data se soma ao leilão de reserva de capacidade para termelétricas e ampliação de hidrelétricas (LRCAP) já realizado em março de 2026, que contratou 18,97 GW de potência. Até o momento, os principais parâmetros conhecidos do certame incluem: - Produto: Potência de armazenamento com duração de 4 horas - Potência mínima: 30 MW por projeto - Prazo contratual: 10 anos - Início de suprimento: agosto de 2028 (projetado) - Volume esperado: entre 300 MW e 500 MW inicialmente, podendo expandir em leilões subsequentes A portaria normativa definitiva ainda não foi publicada, mas o MME sinalizou sua divulgação para abril de 2026, consolidando as contribuições recebidas durante a consulta pública encerrada em dezembro de 2025. Cyro Boccuzi, que vem desenvolvendo projetos de sistemas hidráulicos de armazenamento (SAH) no Brasil, comentou à BNamericas que lamenta o governo não ter incluído a tecnologia nos leilões de capacidade deste ano. "O governo deveria realizar leilões tecnologicamente neutros, e o que for mais barato para o sistema deveria ser contratado", afirmou. ## Por que baterias se tornaram prioridade estratégica O Brasil enfrenta um desafio estrutural que justifica a urgência da contratação de armazenamento: a crescente penetração de fontes renováveis intermitentes sem capacidade proporcional de flexibilidade. Nos últimos cinco anos, o país adicionou mais de 30 GW de energia solar fotovoltaica e ultrapassou 30 GW de capacidade eólica instalada. Essa expansão cria um fenômeno sistêmico: excedente de geração no meio do dia e déficit nas horas de ponta (18h–21h). O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) já trata esse descompasso como parte da nova dinâmica operacional de um sistema que opera com maior oferta de energia de fontes renováveis. O problema não é apenas técnico, é econômico: em 2026, o Brasil desperdiçou 20% do potencial de geração renovável devido a curtailment (corte forçado de geração), custando cerca de R$ 6,5 bilhões em perdas. Baterias resolvem esse problema ao absorver o excedente de geração quando a rede não consegue consumir e despachar essa energia nos momentos de maior demanda ou menor oferta renovável — um papel que historicamente foi desempenhado por termelétricas, que são mais caras e poluentes. ## Resolução do CNPE: hidroelétricas e armazenamento hidráulico Em paralelo à confirmação do leilão de BESS, o CNPE aprovou duas resoluções estratégicas em 1º de abril de 2026: 1. Retomada de estudos para usinas hidrelétricas com reservatórios: priorizando análise de reservatórios multiuso (geração, irrigação, abastecimento, controle de cheias) 2. Reconhecimento de sistemas hidráulicos de armazenamento (SAH) como instrumentos estratégicos para planejamento setorial Sistemas SAH — também conhecidos como hidrelétricas reversíveis ou pumped-storage — permitem armazenar energia em forma potencial: nos períodos de baixa demanda, a energia excedente é usada para bombear água de um reservatório inferior para um superior; quando a demanda aumenta, a água desce movimentando turbinas e gerando eletricidade. Alessandra Torres, presidente da Associação Brasileira de Pequenas Centrais Hidrelétricas e Centrais Geradoras Hidrelétricas (Abrapch), afirmou: "Essas duas resoluções são fundamentais. Elas mostram claramente que a retomada de usinas hidrelétricas não é mais uma escolha, é uma necessidade. Dados a direção que o setor elétrico tomou nos últimos anos, é essencial planejar e construir novas hidrelétricas e também usinas de armazenamento bombeado, nossas grandes baterias naturais com longa vida útil." A resolução estabelece que a contratação de SAH e de novas hidrelétricas com reservatórios será feita via leilões e outros mecanismos competitivos, com diretrizes que refletem a natureza de longo prazo dos investimentos. ## Armazenamento no Brasil: baterias químicas vs. hidráulico vs. térmicas O Brasil está estruturando um modelo de armazenamento diversificado que combina três tecnologias com perfis complementares:
| Tecnologia | Tempo de resposta | Duração típica | Melhor uso | Status no Brasil |
|---|---|---|---|---|
| BESS (baterias) | Milissegundos | 4 horas | Regulação de frequência, arbitragem diária, peak shaving | Leilão em 2026 |
| SAH (hidráulica reversível) | Minutos | 8–24 horas | Armazenamento semanal, firmeamento de renováveis | Reconhecido, sem leilão específico |
| Termelétricas | Horas | Contínua | Capacidade firme, segurança de longo prazo | 19 GW contratados em março 2026 |
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