Mercado global de BESS acelera com projetos bilionários na Itália, Austrália e EUA
Terna aprova 3GWh na Itália, Shinhan investe A$176M na Austrália, Vena Group fecha US$142M e Tesla/LGES expandem produção nos EUA. Panorama da aceleração global.
Redação Brasil BESS
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O mercado global de sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS) está experimentando uma aceleração sem precedentes, com anúncios de projetos bilionários em múltiplos continentes. De março a meados do mês, investimentos estratégicos na Itália, Austrália e Estados Unidos demonstram o papel cada vez mais central das baterias na transição energética mundial.
Itália: Terna aprova BESS de 3 GWh com Airengy
A operadora de transmissão italiana Terna aprovou um projeto de armazenamento de energia em larga escala de 3 GWh de capacidade, com duração de descarga entre 4 e 8 horas. O projeto será desenvolvido pela Airengy, empresa israelense especializada em soluções de armazenamento de energia.
Este é um dos maiores projetos de BESS aprovados na Europa até o momento, refletindo a crescente necessidade de estabilização de rede em países com alta penetração de fontes renováveis intermitentes. A Itália, que tem expandido significativamente sua capacidade solar e eólica, depende cada vez mais de sistemas de armazenamento para garantir a confiabilidade da rede elétrica.
O projeto da Airengy se soma a outros desenvolvimentos em andamento na Europa, consolidando o continente como um dos principais mercados para tecnologias de armazenamento de energia.
Austrália: Hub de investimentos em BESS
A Austrália emergiu como um dos mercados mais atrativos para investimentos em BESS, com três grandes anúncios em março de 2026:
Shinhan investe A$ 176 milhões em Queensland
O Shinhan Financial Group, da Coreia do Sul, concluiu o desembolso inicial para financiamento de projeto de construção e operação do BESS Tangkam, localizado em Queensland, Austrália.
O projeto tem capacidade de 100 megawatts (MW) e 200 megawatt-hora (MWh), com custos totais de A$ 176,1 milhões (aproximadamente R$ 900 milhões). O Shinhan Bank participou como organizador financeiro principal, arranjando A$ 127,6 milhões em empréstimos seniores.
O desembolso inicial foi de A$ 36 milhões (aproximadamente R$ 184 milhões), com desembolsos subsequentes planejados ao longo de 2026 e conclusão do financiamento prevista para 2027. A cerimônia de inauguração das obras está agendada para meados de junho.
Segundo representantes do Shinhan Financial, "este é um caso onde o financiamento serviu como ponte no processo de expansão da tecnologia de empresas coreanas para mercados de energia renovável no exterior".
O Shinhan Financial está expandindo ativamente seus resultados de financiamento de infraestrutura energética global por meio de fundos COPA (estrutura onde instituições financeiras e empresas industriais participam conjuntamente de investimentos). A instituição formou fundos com Hyosung Heavy Industries, LS Group e HD Hyundai Electric, expandindo investimentos focados em BESS na Europa, Estados Unidos, Japão e Austrália.
Vena Group e InCommodities: acordo de US$ 142 milhões
O Vena Group finalizou um acordo de longo prazo no valor de A$ 200 milhões (US$ 141,7 milhões) com a InCommodities, empresa dinamarquesa de trading de energia, para o sistema de armazenamento Bellambi Heights BESS em New South Wales (NSW), Austrália.
O acordo de compartilhamento de receita envolve a InCommodities fornecendo certeza de receita para o desenvolvimento do Vena Group de um BESS de 204 MW.
A construção da bateria está avançando, com planos para energização inicial até o final de 2026 e operações comerciais completas até meados de 2027.
Quando operacional, o Bellambi Heights BESS utilizará energia solar excedente gerada durante o dia, descarregando eletricidade durante períodos de pico de demanda para alimentar aproximadamente 280.000 residências por cerca de duas horas e meia.
Posicionado em uma região com considerável geração solar existente e planejada, o projeto oferecerá capacidade de firming essencial para a rede.
Owen Sela, head da Vena Energy Austrália, afirmou: "Este acordo representa um voto de confiança significativo na transição energética limpa da Austrália e demonstra o papel crucial que o investimento internacional desempenha na construção da infraestrutura de rede que precisamos para o futuro".
Andrew Koscharsky, head de trading de energia da InCommodities para Austrália e Nova Zelândia, declarou: "Este acordo com o Vena Group leva o compromisso total de investimento da InCommodities na Austrália para quase US$ 500 milhões e reflete nosso compromisso de longo prazo com o mercado de energia australiano".
Estados Unidos: Tesla e LG Energy Solution expandem produção
O governo dos EUA confirmou no Indo-Pacific Energy Security Summit, em Tóquio, que a LG Energy Solution (LGES) fabricará células de bateria LFP para a Tesla em Lansing, Michigan. As células são destinadas ao uso em sistemas de armazenamento de energia estacionária da Tesla.
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Este projeto faz parte de uma série de iniciativas do setor energético — totalizando US$ 56 bilhões — que verão empresas asiáticas colaborarem com empresas americanas.
Contradições e esclarecimentos sobre o projeto
Segundo comunicado do governo dos EUA, o plano envolve a construção de uma instalação de fabricação de US$ 4,3 bilhões para células de bateria LFP prismáticas em Lansing, Michigan. Esta instalação é uma joint venture entre Tesla e LGES e deve iniciar a produção em 2027.
No entanto, investigação revelou uma discrepância: a LGES já construiu uma fábrica de células de bateria em Lansing em parceria com a General Motors, que se retirou da joint venture no final de 2024. Aparentemente, as células para a Tesla agora serão produzidas na mesma fábrica em Lansing, embora usando uma química de célula diferente da originalmente planejada para a General Motors — LFP em vez de NMC.
Destinação: Tesla Megapack 3
Essas células, para as quais a Tesla teria assinado um acordo de fornecimento, destinam-se ao uso no Tesla Megapack 3, produto que em breve será fabricado na futura Megafactory da Tesla em Houston, Texas.
O Megapack 3 é um sistema de armazenamento de energia em bateria (BESS) com capacidade de 5 MWh, revelado em setembro de 2025. Pode ser encomendado como um Megablock — uma unidade pré-configurada compreendendo até quatro sistemas Megapack 3, incluindo transformador e equipamento de comutação.
Segundo a Tesla, a combinação de múltiplos Megablocks pode fornecer uma capacidade total de 1 GWh em apenas 20 dias úteis.
Boom de BESS em data centers de IA
A adoção de BESS está em expansão acelerada em data centers de IA, onde servem como sistemas massivos de backup para garantir operação ininterrupta durante quedas de energia. Data centers — como outros clientes industriais e comerciais — também podem usar BESS para otimizar o autoconsumo, armazenando eletricidade barata à noite e usando-a durante períodos de tarifas de pico caras.
Panorama global: aceleração dos investimentos
Os anúncios de março de 2026 ilustram uma tendência clara: o mercado global de BESS está em franca expansão, impulsionado por múltiplos fatores:
- Crescimento de renováveis intermitentes: A expansão de solar e eólica exige armazenamento para compensar a variabilidade
- Estabilização de rede: Operadores de transmissão reconhecem o valor de BESS para suporte de tensão, frequência e confiabilidade
- Arbitragem energética: Oportunidades de comprar energia barata e vender cara impulsionam modelos de negócio
- Demanda de data centers: Boom de IA aumenta necessidade de backup e gestão de picos de demanda
- Custos decrescentes: Tecnologias de bateria mais baratas tornam projetos economicamente viáveis
- Políticas de apoio: Governos em múltiplos países oferecem incentivos para armazenamento de energia
Implicações para o Brasil
O panorama global oferece lições valiosas para o Brasil, que se prepara para seu primeiro leilão específico de baterias em 2026:
- Modelos de financiamento: A estrutura COPA da Coreia do Sul e os acordos de compartilhamento de receita como o da Vena/InCommodities podem inspirar modelos brasileiros
- Localização estratégica: A abordagem italiana de aprovar grandes projetos em pontos críticos da rede se alinha com a proposta da Grande Sertão II de tratar BESS como ativos de transmissão
- Escala de investimentos: Os valores globais (centenas de milhões de dólares por projeto) indicam o nível de capital disponível para BESS de qualidade
- Integração industrial: A parceria Tesla/LGES mostra a importância de integração vertical entre fabricantes de células e sistemas
Com o mercado global de BESS crescendo exponencialmente, o Brasil tem a oportunidade de se posicionar como player relevante na América Latina, aproveitando suas vastas necessidades de armazenamento, recursos técnicos e marco regulatório em evolução.
Fontes: Energy Storage News, Seoul Economic Daily, Power Technology, Electrive
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