Matrix Energia anuncia salto de 96 para 250 MWh em BESS behind-the-meter até o fim de 2026
Em comunicado divulgado em abril de 2026, a Matrix Energia anunciou plano de mais que dobrar a capacidade BESS instalada em projetos behind-the-meter para 250 MWh até dezembro.
Redação Brasil BESS
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A Matrix Energia detalhou plano para mais que dobrar a capacidade instalada em sistemas BESS behind-the-meter (BTM) — de 96 MWh em operação para cerca de 250 MWh até o fim de 2026. O anúncio, divulgado em comunicado da empresa reportado pelo Petronotícias em 22 de abril de 2026, consolida a Matrix como uma das principais operadoras do segmento BTM no Brasil em paralelo ao avanço, ainda travado, do primeiro leilão público dedicado a baterias.
Atualmente, segundo a empresa, são mais de 60 clientes atendidos com aproximadamente 117 unidades de BESS em operação em diferentes estados. O modelo de negócio dispensa o investimento inicial do consumidor: a Matrix arca com o capex, o cliente paga uma parcela mensal fixa que inclui operação e manutenção, e o sistema é instalado atrás do medidor da unidade consumidora. A escalabilidade é modular e o equipamento pode ser retirado ao fim do contrato.
A presença comercial cobre 12 segmentos, com destaque para varejo alimentício, frigoríficos, agroindústria, hotelaria, transporte, indústria geral, farmacêutico, saúde, bebidas e energia. Em comunicado citado pelo Petronotícias na mesma reportagem, executivos da Matrix afirmaram que a empresa firmou recentemente contrato com a maior engarrafadora de bebidas do país e está em fase de instalação do sistema.
BTM ganha tração enquanto o utility-scale segue em compasso de espera
O movimento da Matrix se dá em um contexto de duas velocidades distintas. De um lado, o segmento utility-scale (front-of-the-meter, FTM) depende da publicação da portaria definitiva do LRCAP de 2026 – Armazenamento, ainda pendente até a data desta reportagem. A Portaria MME nº 878/2025 fixou início de suprimento em 1º de agosto de 2028, mas o edital, sob responsabilidade da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), não foi publicado.
De outro, o segmento BTM avança pelo motor da economia direta com tarifas de distribuição: peak shaving (corte de demanda em ponta), arbitragem entre postos tarifários e resiliência operacional. Segundo a consultoria de inteligência de mercado Greener, citada pela Matrix em comunicado, o segmento comercial e industrial (C&I) acumula 524 MWh instalados no país — número que coloca a meta de 250 MWh da Matrix em aproximadamente 48% do total do mercado, sinal de que a demanda fora do leilão não aguarda a portaria.
| Indicador | Posição atual | Meta dez/2026 |
|---|---|---|
| Capacidade BESS BTM da Matrix | 96 MWh | ~250 MWh |
| Total mercado C&I no Brasil (Greener) | 524 MWh | — |
| Participação da Matrix sobre o total C&I | ~18% | ~48% |
| Clientes atendidos | 60+ | — |
| Unidades BESS em operação | 117 | — |
| Segmentos atendidos | 12 | — |
Capital próprio, debêntures verdes e financiamento como diferencial
A expansão é financiada por uma combinação de capital próprio e instrumentos de mercado. Em emissão reportada pelo Canal Solar em 11 de setembro de 2024, a subsidiária GET Comercializadora captou R$ 100 milhões em debêntures verdes tendo a Caixa Econômica Federal como coordenadora líder — operação descrita pela Matrix como a primeira emissão verde do Brasil voltada especificamente a armazenamento em baterias, com prazo de seis anos e remuneração de CDI + 2,65% ao ano segundo a cobertura do Cenário Energia.
“O mercado de capitais tem sido fundamental para apoiar nosso ambicioso plano de investimentos, tanto em BESS quanto em ativos de geração solar.”
— Federico Marsano, CFO da Matrix Energia, em comunicado divulgado pelo Canal Solar (setembro de 2024)
O modelo BESS-as-a-Service compete com soluções de geração própria a diesel e ataca, em particular, o problema da contratação de demanda em horário de ponta — o componente da fatura industrial que mais sobe quando o consumidor migra para tarifas horárias.
Conexão com a Lei 15.269/2025
O modelo BTM se beneficia indiretamente de previsões da Lei nº 15.269/2025, que reconhece o armazenamento como atividade regulada autônoma — paralela à geração, transmissão, distribuição e comercialização — e preserva o REIDI (Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura) aplicável a projetos de armazenamento, com orçamento previsto de R$ 1 bilhão por ano entre 2026 e 2030, conforme análise publicada pelo Canal Solar em 27 de novembro de 2025 com declarações de Fábio Lima, diretor executivo da Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (ABSAE). Segundo Lima, “o armazenamento passa a ter conceito legal e clareza regulatória” e qualquer agente, incluindo consumidores, poderá instalar sistemas e se conectar à rede, cabendo à ANEEL definir as regras.
No campo da política industrial, o LRCAP de 2026 – Armazenamento foi criticado por André Tokarski, coordenador do curso de Direito do Centro Universitário Alves Faria (Unialfa) e pesquisador do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), em artigo publicado pelo portal Eixos em 19 de março de 2026, por não conter cláusulas de conteúdo local, transferência de tecnologia ou cooperação com instituições de pesquisa. A Matrix, que opera com integração local de sistemas importados, não se manifestou sobre o ponto na cobertura referenciada.
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O segmento BTM brasileiro deve seguir crescendo em ritmo independente do calendário regulatório utility-scale. As decisões pendentes da ANEEL sobre tarifas, encargos e enquadramento de baterias no Sistema Interligado Nacional (SIN) afetarão sobretudo projetos FTM e híbridos. Para o BTM, o principal vetor de crescimento permanece a economia direta com a fatura — variável que depende de queda continuada do CAPEX por kWh e da ampliação das modalidades horárias entre consumidores cativos e livres.
Perguntas frequentes
Quanto BESS a Matrix Energia tem em operação hoje?
Segundo comunicado da empresa de abril de 2026, a Matrix Energia opera atualmente 96 MWh de capacidade instalada em sistemas BESS behind-the-meter, distribuídos em cerca de 117 unidades atendendo mais de 60 clientes comerciais e industriais em diferentes estados do Brasil.
Qual a meta da Matrix Energia para 2026?
A Matrix Energia anunciou plano para atingir aproximadamente 250 MWh em sistemas BESS behind-the-meter até o fim de 2026, mais que dobrando sua capacidade atual. A meta corresponde a cerca de 48% do total da capacidade instalada no segmento comercial e industrial brasileiro, estimado em 524 MWh pela consultoria Greener.
O que é BESS behind-the-meter (BTM)?
BESS behind-the-meter, ou “atrás do medidor”, é um sistema de armazenamento de energia em baterias instalado dentro da unidade consumidora — após o medidor de energia da concessionária. Permite ao consumidor armazenar energia em horários de tarifa mais baixa e usar nos horários de ponta, reduzindo custos de demanda, mitigando picos de carga e oferecendo resiliência operacional.
Como funciona o modelo BESS-as-a-Service da Matrix?
No modelo BESS-as-a-Service da Matrix, a empresa assume integralmente o investimento (capex) no sistema de armazenamento, sem necessidade de aporte inicial do cliente. O cliente paga uma parcela mensal fixa que inclui operação e manutenção do equipamento. O sistema tem escalabilidade modular e pode ser retirado ao fim do contrato, evitando ativos ociosos ou passivos operacionais.
Quem é o CFO da Matrix Energia?
Federico Marsano é o Diretor Financeiro (CFO) da Matrix Energia. Ele liderou a comunicação da emissão de R$ 100 milhões em debêntures verdes pela subsidiária GET Comercializadora em setembro de 2024 — primeira emissão verde do Brasil destinada especificamente a sistemas de armazenamento de energia em baterias, com a Caixa Econômica Federal como coordenadora líder.
Quem é o fornecedor de tecnologia BESS da Matrix?
A Matrix Energia tem a Huawei Digital Power como parceira tecnológica de referência no desenvolvimento dos equipamentos BESS. A parceria, firmada em 2023, foi ampliada em agosto de 2024 com Memorando de Entendimento que prevê o fornecimento de até 750 MWh em baterias até o final de 2027.
Como a Lei 15.269/2025 afeta o mercado de BESS no Brasil?
A Lei 15.269/2025 reconhece pela primeira vez o armazenamento de energia como atividade regulada autônoma — não mais tratada como geração — e atribui à ANEEL a tarefa de regular acesso, remuneração e fiscalização dos sistemas. A lei também preserva o REIDI para projetos de armazenamento com orçamento anual previsto de R$ 1 bilhão entre 2026 e 2030, criando incentivo fiscal para investimentos no setor.
Em quais segmentos a Matrix Energia atua com BESS?
A solução BESS da Matrix está presente em 12 segmentos da economia brasileira, com destaque para frigoríficos, agroindústria e alimentos, hotelaria, transporte, varejo, indústria em geral, farmacêutico, saúde, energia e bebidas. Casos referenciados pela própria Matrix incluem o Santo Mercado (São Paulo), o Assaí Atacadista (Bahia e Pará) e o Grupo Ritz (Alagoas).
Fontes consultadas:
- Petronotícias — “Matrix Energia anuncia plano para ampliar sua capacidade instalada de armazenamento de energia no Brasil” (22 de abril de 2026)
- Canal Solar — “Matrix Energia planeja instalar 224 MWh em BESS até 2025” (11 de setembro de 2024)
- Canal Solar — “Armazenamento ‘na frente do medidor’ ganha status legal, mas regra de rateio é questionada” (27 de novembro de 2025)
- Cenário Energia — “Matrix Energia capta R$ 100 milhões em debêntures verdes para impulsionar o BESS no Brasil” (6 de setembro de 2024)
- Greener — Dados de mercado C&I de BESS no Brasil (524 MWh), citados em comunicado da Matrix Energia
- Eixos — “Potência comprada, tecnologia importada: os limites do LRCAP 2026 para fortalecer a indústria brasileira de baterias” (19 de março de 2026)
- Portaria MME nº 878/2025 e Lei nº 15.269/2025
Este artigo é uma análise jornalística do BrasilBESS baseada em fontes públicas. Correções, esclarecimentos ou manifestações das partes mencionadas podem ser enviados ao portal para análise e publicação em caráter complementar.
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