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Brasil corta 2,8 GW médios de eólica e solar no 1º quadrimestre de 2026 e reaviva pressão por leilão de baterias

Entre janeiro e abril de 2026, eólicas e solares no Brasil tiveram 2.843 MW médios cortados pelo ONS, com Nordeste concentrando 79% do total. Volt Robotics estimou R$ 6 bi em perdas em 2025 e a portaria do LRCAP de Armazenamento ainda não foi publicada.

Redação Brasil BESS

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Brasil corta 2,8 GW médios de eólica e solar no 1º quadrimestre de 2026 e reaviva pressão por leilão de baterias

Os cortes de geração de usinas eólicas e solares no Brasil somaram 2.843 MW médios entre janeiro e abril de 2026, segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) compilados em reportagem do Canal Solar publicada em 20 de maio. O volume corresponde a um agravamento de 16,7% em relação ao mesmo período de 2025, quando o curtailment total havia ficado em 2.436 MW médios. A maior parte dos cortes em 2026 — 1.772 MW médios — se deve a razões energéticas, situação em que a carga do sistema não consegue absorver toda a oferta disponível.

A escalada ocorre a poucas semanas da publicação esperada da portaria do primeiro Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência para Armazenamento (LRCAP de Armazenamento), prometida pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, em até 20 dias durante o Fórum Esfera Nacional, no Guarujá, em 22 de maio de 2026. O leilão é, hoje, o principal instrumento regulatório em vista para mobilizar sistemas de armazenamento que possam reduzir o descarte de energia renovável no país.

Eólica responde pelo maior volume de cortes

Conforme a mesma reportagem do Canal Solar, os parques eólicos foram a fonte mais afetada no primeiro quadrimestre, com 1.806 MW médios de curtailment — alta de 13,4% em relação aos 1.592 MW médios registrados entre janeiro e abril de 2025. As usinas solares somaram 1.037 MW médios, um avanço de 22,9% sobre os 844 MW médios do mesmo período do ano anterior.

A distribuição regional concentra o impacto no Nordeste. A região respondeu por 2.233 MW médios dos cortes — equivalente a 79% do total nacional. O Sudeste apareceu em segundo lugar, com 476 MW médios. Norte e Sul registraram, respectivamente, 17 MW médios e 13 MW médios. Entre os estados mais impactados, segundo o levantamento, estão Ceará, Bahia, Piauí, Pernambuco, Paraíba, Minas Gerais, Goiás e São Paulo.

Recorte Jan-Abr 2025 Jan-Abr 2026 Variação
Curtailment eólico (MW médios) 1.592 1.806 +13,4%
Curtailment solar (MW médios) 844 1.037 +22,9%
Total nacional (MW médios) 2.436 2.843 +16,7%
Nordeste (MW médios em 2026) 2.233 79% do total

Fonte: ONS, com compilação publicada pelo Canal Solar em 20 de maio de 2026.

No Ceará, prejuízo acumulado chega a R$ 749 milhões

Em reportagem publicada pelo Diário do Nordeste em 6 de maio de 2026, a Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica) informou que apenas no estado do Ceará foram cortados 660 mil MWh de geração eólica e solar entre janeiro e abril deste ano — alta de 22% em relação ao mesmo período de 2025 (540 mil MWh) e expansão de 1.173% sobre os 52 mil MWh registrados entre janeiro e abril de 2024.

O prejuízo financeiro acumulado pelos setores eólico e solar do Ceará atingiu R$ 749 milhões entre outubro de 2021 e abril de 2026, conforme a mesma associação. Em paralelo, levantamento da consultoria ePowerBay reportado pelo Diário do Nordeste estima que o estado tenha perdido cerca de 3,3 milhões de MWh entre outubro de 2021 e setembro de 2025.

Em entrevista ao Diário do Nordeste, Elbia Gannoum, presidente da Abeeólica, classificou o quadro como a "pior crise da indústria de energia eólica no Brasil". Segundo a executiva, o curtailment passou a ser sentido com mais força a partir de 2023 e caracteriza, em sua avaliação, uma "micro crise" do setor.

O quadro estrutural por trás dos cortes

O agravamento em 2026 dá continuidade a uma tendência que se intensificou no ano anterior. Conforme a reportagem do Canal Solar de 20 de maio, levantamento da consultoria Volt Robotics indicou que o Brasil desperdiçou 20,6% de toda a energia eólica e solar disponível em 2025, com prejuízo estimado em cerca de R$ 6 bilhões para as usinas renováveis centralizadas sob despacho do ONS.

Em janeiro de 2026, de forma isolada, os cortes somaram 2,86 TWh — alta de 45% em relação a dezembro de 2025 e de quase 300% em relação a janeiro de 2025, conforme dado da consultoria ePowerBay reportado pelo Canal Solar em 12 de fevereiro de 2026.

Para Reinaldo Garcia, diretor de Estudos de Energia Elétrica da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o fenômeno reflete um descompasso estrutural entre a velocidade de entrada da geração e o ritmo de expansão da transmissão. Em entrevista à publicação O Setor Elétrico em 21 de maio de 2026, Garcia afirmou que "hoje, o prazo de implantação da geração renovável é praticamente metade do prazo das obras de transmissão", com cerca de 3 a 4 anos para uma usina e até 7 anos para uma linha de transmissão.

O Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2035, publicado pela EPE em 12 de fevereiro de 2026, projeta que o sistema elétrico brasileiro pode receber até 100 GW de nova capacidade de geração instalada nos próximos dez anos, com investimentos estimados em R$ 3,5 trilhões.

BESS no centro do debate técnico

Os sistemas de armazenamento retornaram ao centro do debate técnico como ferramenta para mitigar o descarte. Na mesma entrevista a O Setor Elétrico, Reinaldo Garcia (EPE) afirmou: "Além de atender à ponta, as baterias podem prestar serviços ancilares e também absorver excedentes de geração, especialmente solar, ao longo do dia, liberando essa energia no momento de maior demanda".

Análise da Aurora Energy Research feita a pedido da Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (ABSAE) e apresentada em evento do portal MegaWhat em 8 de setembro de 2025 calculou que a contratação de 1 GW em sistemas BESS num leilão de reserva de capacidade tem custo entre R$ 3,5 bilhões e R$ 4,6 bilhões inferior ao da mesma potência contratada em térmicas a gás natural de ciclo aberto, considerando o horizonte de 15 anos de contrato. O estudo estima que o Brasil precisará adicionar cerca de 47 GW de capacidade firme até 2045 para garantir o suprimento.

Em material divulgado pelo MegaWhat na mesma data, Markus Vlasits, presidente da ABSAE, afirmou que "as baterias são uma alternativa competitiva para atender à necessidade do sistema, entregando potência e flexibilidade". O argumento foi reforçado em entrevista ao Canal Solar publicada em 11 de setembro de 2025, na qual o executivo destacou que o sistema elétrico brasileiro enfrentará simultaneamente déficit de potência no horário de ponta e excesso de geração ao longo do dia.

Regulação ainda travada

Apesar do consenso técnico em torno do potencial do BESS, dois pilares regulatórios continuam pendentes. O primeiro é a Resolução Normativa 1.030/2022 da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), que define a classificação e o ressarcimento dos cortes nas três categorias hoje vigentes: razão energética, confiabilidade elétrica e indisponibilidade externa. A norma não foi revisada após a edição da Lei 15.269/2025.

Em entrevista a O Setor Elétrico publicada em 21 de maio de 2026, o diretor da ANEEL Fernando Mosna afirmou que "a agência até agora não abriu consulta pública para revisitar a Resolução 1.030, mesmo depois do advento da Lei 15.269". Mosna defendeu que a atualização é necessária para dar previsibilidade aos geradores e citou, em voto-vista anterior reportado pelo MegaWhat em 19 de fevereiro de 2025, que "em vários sistemas (Califórnia e Texas, por exemplo) a implementação de soluções de armazenamento pelos geradores tem sido avaliada como alternativa para lidar com o curtailment".

O segundo pilar é a regulamentação dos serviços de armazenamento. Em sessão de 7 de abril de 2026, a diretoria da ANEEL adiou nova decisão sobre o modelo a ser aplicado aos sistemas BESS, segundo reportagem do Canal Solar publicada em 8 de abril. O voto-vista de Mosna, parte da discussão, propôs eliminar a chamada "tarifa dupla" — pela qual o sistema BESS pagaria pelo uso da rede tanto na injeção quanto no carregamento — e flexibilizar o Montante de Uso dos Sistemas (MUST) para agentes que combinem geração e armazenamento, com redução imediata de até 30%.

Próximos passos

A janela imediata é definida por dois eventos. O primeiro é a publicação da portaria do LRCAP de Armazenamento, anunciada pelo ministro Alexandre Silveira para ocorrer em até 20 dias a partir de 22 de maio de 2026, conforme comunicado oficial do Ministério de Minas e Energia. O certame está previsto para o segundo semestre de 2026, com início de suprimento dos contratos em 1º de agosto de 2028, segundo a Portaria MME nº 878/2025.

O segundo é a deliberação pendente da ANEEL sobre a regulamentação dos sistemas de armazenamento, que aguarda nova análise após o pedido de vista do diretor Willamy Frota em 7 de abril de 2026. A revisão da Resolução Normativa 1.030/2022, defendida por Mosna, segue sem cronograma definido.


Fontes consultadas:

  • Canal Solar — "Brasil já cortou quase 3 GW médios de energia solar e eólica em 2026" (20 de maio de 2026)
  • Canal Solar — "Curtailment faz Brasil jogar fora quase 8% da energia que consome" (12 de fevereiro de 2026)
  • Canal Solar — "Regulamentação de baterias sofre nova postergação na ANEEL" (8 de abril de 2026)
  • Canal Solar — "Baterias já se mostram mais baratas que térmicas a gás para atender a demanda de potência" (11 de setembro de 2025)
  • Diário do Nordeste — "Cortes de energia causam prejuízo de R$ 749 milhões ao setor eólico e solar no Ceará" (6 de maio de 2026)
  • O Setor Elétrico — "Sem solução à vista, curtailment ameaça a estabilidade do sistema elétrico brasileiro" (21 de maio de 2026)
  • MegaWhat — "Baterias reduzem em até R$ 4,6 bi custo do sistema frente a térmicas a gás" (8 de setembro de 2025)
  • MegaWhat — "Brasil não pode se dar ao luxo de ignorar baterias para equilibrar geração e consumo" (16 de setembro de 2025)
  • MegaWhat — "CP sobre ressarcimento do curtailment é indeferida por maioria da Aneel" (19 de fevereiro de 2025)
  • ABSAE — "Estudo da Aurora Energy Research aponta que baterias são caminho mais econômico para oferecer flexibilidade ao sistema" (setembro de 2025)
  • EPE — Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2035 (publicado em 12 de fevereiro de 2026)
  • Ministério de Minas e Energia — Comunicado oficial referente ao Fórum Esfera Nacional, 22 de maio de 2026

Este artigo é uma análise jornalística do BrasilBESS baseada em fontes públicas. Correções, esclarecimentos ou manifestações das partes mencionadas podem ser enviados ao portal para análise e publicação em caráter complementar.

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