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Engie e Axia revelam pipeline bilionário em baterias enquanto LRCAP de armazenamento segue sem edital

Em teleconferências do 1T26, Engie e Axia (ex-Eletrobras) confirmaram apetite por sistemas BESS — Axia estuda mais de 4 GW. O leilão dedicado a baterias, porém, segue sem portaria publicada pelo MME.

Redação Brasil BESS

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Engie e Axia revelam pipeline bilionário em baterias enquanto LRCAP de armazenamento segue sem edital

Em teleconferências de resultados do primeiro trimestre de 2026 reportadas pela Gazeta do Povo em 13 de maio de 2026, duas das maiores geradoras do Brasil — Axia Energia (ex-Eletrobras) e Engie Brasil — explicitaram a existência de carteiras significativas de projetos de armazenamento em baterias para o mercado nacional. No mesmo período, o Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência dedicado a Armazenamento (LRCAP-Armazenamento), originalmente previsto para abril de 2026, segue sem portaria normativa publicada pelo Ministério de Minas e Energia (MME).

O contraste entre o apetite declarado pelas elétricas e o vácuo regulatório expõe a tensão central do mercado brasileiro de BESS neste momento: há capital privado disposto a participar de um leilão que ainda não existe formalmente.

Axia estuda pipeline de mais de 4 GW

A Axia Energia mantém em estudo uma carteira de projetos superior a 4 GW em sistemas de armazenamento de energia em baterias, segundo declaração do então vice-presidente de Estratégia e Desenvolvimento de Negócios, Elio Wolff, em teleconferência de resultados do 4T25 realizada em 27 de fevereiro de 2026, conforme reportagem da Agência iNFRA publicada na mesma data.

"Precisamos enxergar as regras, entender quanto desses 4 GW a gente consegue efetivamente ofertar. Mas o grupo vem progressivamente crescendo seu pipeline para poder viabilizar isso da forma certa, com disciplina, geração de valor", afirmou Wolff, em trecho reportado pela Reuters em 27 de fevereiro de 2026 e replicado por Money Times e Investing Brasil na mesma data.

A companhia também projetou aportes de R$ 12 bilhões a R$ 14 bilhões para 2026 e 2027, segundo a mesma reportagem, voltados principalmente à execução de projetos de transmissão arrematados em leilões anteriores e a reforços de rede. O segmento de armazenamento foi citado como uma das principais frentes de expansão.

Na divulgação dos resultados do 1T26, em 6 de maio de 2026, a companhia reportou lucro líquido ajustado de R$ 3,2 bilhões e EBITDA de R$ 8,6 bilhões — alta de 60% na comparação anual —, conforme análise da Nord Investimentos publicada em 7 de maio de 2026. No mesmo trimestre, foi anunciada a sucessão executiva, com a nomeação de Elio Wolff para CEO da companhia.

Engie Brasil declara "apetite" e cita indefinição regulatória

No lado da Engie Brasil, o diretor de Renováveis e Armazenamento, Guilherme Ferrari, confirmou interesse explícito na nova frente em teleconferência de resultados do 1T26 reportada pela Gazeta do Povo em 13 de maio de 2026:

"Estamos com uma carteira de projetos onde podemos desenvolver as baterias. Existe muita indefinição, mas temos apetite. Há questões regulatórias que esperamos que sejam resolvidas ainda nos próximos meses para que consigamos ter ainda neste ano esse leilão", declarou o executivo.

A companhia divulgou em maio de 2026 lucro líquido de R$ 789 milhões no 1T26 — queda de 4,1% no comparativo anual —, com EBITDA em alta de 10%, conforme reportagem da ADVFN Brasil de 13 de maio de 2026.

Portaria 878/2025 estabeleceu parâmetros, mas edital final não saiu

A base normativa do leilão dedicado a armazenamento foi estruturada pela Portaria MME nº 878/2025, vinculada à Consulta Pública nº 202/2025, encerrada em 1º de dezembro de 2025. A minuta estabeleceu requisitos técnicos para o certame, conforme relatório da Demarest Advogados publicado em 5 de dezembro de 2025 e análise do Canal Solar de 16 de janeiro de 2026.

Parâmetro Definição prevista
Cronograma original do leilão Abril de 2026
Início de suprimento contratual 1º de agosto de 2028
Prazo do contrato 10 anos
Potência mínima por projeto 30 MW
Duração diária de descarga 4 horas a potência máxima
Tempo máximo de recarga 6 horas
Eficiência mínima exigida 85%
Tecnologia de controle Grid-forming obrigatória

Fonte: Portaria MME nº 878/2025, conforme detalhamento em Canal Solar (16/01/2026) e Demarest (05/12/2025).

Apesar da estrutura técnica formalizada, a portaria final com as diretrizes definitivas e o cronograma vinculante do certame ainda não foi publicada até o fechamento desta matéria.

Posição oficial do MME

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou em entrevista reportada pelo MegaWhat em 18 de fevereiro de 2026 que o certame poderia acontecer "até junho" de 2026, embora a previsão original fosse abril. Em maio de 2026, o MME indicou em comunicações reportadas pelo ClimaInfo em 12 de maio de 2026 que o edital sairia "para as próximas semanas", sem fixar data definitiva.

A Lei 15.269/2025, que moderniza o setor elétrico, atribuiu à ANEEL a competência para regular acesso, remuneração, fiscalização e múltiplos serviços dos sistemas de armazenamento. A lei também previu mecanismos de fomento ao segmento, incluindo a possibilidade de redução a zero do Imposto de Importação e inclusão no REIDI, com limite anual de renúncia fiscal de R$ 1 bilhão entre 2026 e 2030, conforme análise publicada pelo Canal Solar em 9 de dezembro de 2025.

O que o pipeline declarado significa para o sistema

Markus Vlasits, presidente da Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (ABSAE), projetou em entrevista ao Brazil Journal em janeiro de 2026 que um primeiro leilão de 2 GW poderia mobilizar investimentos da ordem de R$ 10 bilhões. Em entrevista à Editora Brasil Energia, o executivo estimou que o mercado nacional teria capacidade de entregar entre 15 e 20 GWh ao longo dos próximos anos, embora considere "razoável" para um primeiro certame um volume em torno de 2 GW de potência.

Um estudo da consultoria Aurora Energy Research citado em reportagem da Gazeta do Povo de 13 de maio de 2026 indicou que sistemas BESS podem ser cerca de 46% mais baratos do que a instalação de novas usinas térmicas a gás, com potencial de gerar economia estimada em R$ 3 bilhões por ano em encargos do sistema para cada 2 GW adicionados. O mesmo estudo projetou que o mercado brasileiro de armazenamento poderia atrair até R$ 45 bilhões em investimentos até 2030.

Próximos passos

O setor aguarda três movimentações sequenciais para que o LRCAP-Armazenamento avance: publicação da portaria normativa pelo MME, aprovação do edital pela ANEEL e abertura formal do período de habilitação dos projetos. Até o fechamento desta matéria, o MME não havia divulgado data oficial para a publicação da portaria nem para a realização do certame. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) já concluíram, em novembro de 2025, o cadastramento técnico de projetos para os LRCAPs de 2026, conforme registro publicado pela EPE em sua página institucional sobre os leilões de reserva de capacidade.


Fontes consultadas:

  • Gazeta do Povo — "Quando o governo vai fazer o primeiro leilão de baterias" (13/05/2026)
  • Agência iNFRA — "Axia mira leilões de potência, transmissão e baterias de 2026" (27/02/2026)
  • Reuters / Investing Brasil — "Axia Energia tem pipeline de baterias de mais de 4 GW em estudo" (27/02/2026)
  • Money Times — "Axia Energia prevê investimentos de R$ 12 bi a R$ 14 bi em 2026 e 2027" (27/02/2026)
  • Nord Investimentos — Análise dos resultados 1T26 da Axia Energia (07/05/2026)
  • ADVFN Brasil — "Engie Brasil Energia lucra R$ 789 milhões no 1T26" (13/05/2026)
  • MegaWhat — "MME espera portaria para leilão de baterias" e cobertura subsequente (18/02/2026)
  • ClimaInfo — "A urgência do leilão de baterias no Brasil" (12/05/2026)
  • Canal Solar — Cobertura da Consulta Pública 202/2025 e Portaria MME 878/2025 (16/01/2026; 09/12/2025)
  • Demarest Advogados — Análise da minuta do LRCAP-Armazenamento (05/12/2025)
  • Brazil Journal — Entrevistas com Markus Vlasits (ABSAE), janeiro de 2026
  • EPE — Página institucional dos Leilões de Reserva de Capacidade na forma de Potência 2026

Este artigo é uma análise jornalística do BrasilBESS baseada em fontes públicas. Correções, esclarecimentos ou manifestações das partes mencionadas podem ser enviados ao portal para análise e publicação em caráter complementar.

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