Huawei e Aggreko anunciam R$ 850 milhões para o maior projeto BESS do Brasil na Amazônia
Redação Brasil BESS
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A Huawei Digital Power e a Aggreko fecharam o maior contrato de armazenamento em baterias da história do Brasil: 110 MWp de solar + 120 MWh de BESS em 24 comunidades isoladas do Amazonas, com investimento total de R$ 850 milhões.
Em 2 de março de 2026, a Reuters revelou o acordo que redefiniu o mapa do BESS brasileiro. A Huawei Digital Power (China) e a Aggreko (Reino Unido) vão desenvolver a maior operação de microgrids completamente desconectadas da rede elétrica das Américas — integrando geração solar, armazenamento em baterias e as usinas térmicas a diesel já operadas pela Aggreko em comunidades remotas do estado do Amazonas.
O projeto em números
| Item | Detalhe |
|---|---|
| Capacidade solar | 110 MWp |
| Capacidade BESS | 120 MWh |
| Comunidades atendidas | 24 municípios/distritos isolados |
| Investimento total | R$ 850 milhões (~US$ 165,5 mi) |
| Diesel economizado/ano | 37 milhões de litros |
| CO₂ evitado/ano | 104 mil toneladas de CO₂e |
| Beneficiados | mais de 200 mil pessoas |
O investimento é composto por R$ 510 milhões provenientes do fundo pós-privatização da Eletrobras, gerido pela Axia Energia via programa Pró-Amazônia Legal (CGPAL), e R$ 340 milhões aportados diretamente pela Aggreko.
Por que a Amazônia?
As comunidades atendidas — incluindo Tefé (~75 mil habitantes), Benjamin Constant e Tabatinga — dependem integralmente de geradores a diesel subsidiados pela CCC (Conta de Consumo de Combustíveis), cujo custo recai sobre todos os consumidores brasileiros na conta de luz. Além do custo, a logística do diesel na Amazônia é cara, lenta e ambientalmente crítica.
A solução híbrida resolve dois problemas ao mesmo tempo: corta o subsídio ao diesel e descarboniza o fornecimento de energia de populações ribeirinhas que nunca serão conectadas ao Sistema Interligado Nacional (SIN).
A tecnologia: microgrids com BESS grid-forming
As baterias da Huawei — que variam de unidades compactas de 2,8 toneladas a contêineres de 20 pés pesando 28 toneladas — exercem função de grid-forming: regulam tensão e frequência de rede de forma autônoma, essencial em sistemas sem conexão à rede nacional. A química utilizada é tipicamente LFP (lítio ferro-fosfato), tecnologia já consagrada em projetos utility-scale da Huawei Digital Power globalmente.
Um projeto-piloto em Caiambé (distrito de Tefé, às margens do Rio Solimões) já opera desde junho de 2025 com 373 kWp solar e 1 MW/500 kWh de BESS, validando o modelo antes da escala total.
O sistema de controle automatizado foi desenvolvido em parceria com a UNIFEI (Universidade Federal de Itajubá) e cofinanciado pelo programa de P&D da ANEEL, o que garante lastro regulatório e transferência de tecnologia para o ecossistema brasileiro.
Cronograma
- 2026: Início da implementação
- 2027–2028: Primeiras microgrids operacionais
- 2028–2029: Conclusão total do sistema
O que isso significa para o mercado de BESS no Brasil
Este projeto é um sinal inequívoco: o Brasil deixou a fase de pilotos e demonstrações no armazenamento em baterias. Um contrato de 120 MWh — o maior do país — sendo executado em um dos ambientes mais desafiadores do planeta (logística amazônica, clima equatorial, comunidades isoladas) valida a tecnologia BESS LFP para aplicações off-grid em escala.
Para o setor, o modelo é replicável. O Brasil tem cerca de 7 mil localidades isoladas no Sistema Isolado, a maioria na Amazônia Legal, todas dependentes de diesel. O potencial de mercado para soluções similares chega a dezenas de GWh de capacidade BESS.
Fontes: Reuters via InfoMoney | ESS News | Canal Solar
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